Notícias do mercado · 3 de novembro de 2026

Crédito imobiliário perde fôlego em setembro: o que os números da Abecip dizem para quem vende imóvel

O crédito com recursos da poupança caiu 19,7% em setembro, para R$ 13,6 bilhões, e os imóveis financiados recuaram 25%. Veja os números e o que fazer agora.

Publicado em Atualizado em 3 min de leitura

Gráfico de barras em queda sobre uma maquete de casa, representando o crédito imobiliário de setembro

O crédito imobiliário com dinheiro da poupança perdeu força em setembro. Os bancos financiaram R$ 13,62 bilhões no mês, 19,7% a menos que em agosto. Foram 34,9 mil imóveis, queda de 25,3% no mês e de 24,4% em relação a setembro de 2025. Os números são da Abecip, a associação das empresas de crédito imobiliário e poupança, divulgados em 29 de outubro de 2026.

Esse é o retrato de antes da alta dos juros nos bancos privados, que começou em 26 de outubro. Ou seja: o crédito já vinha desacelerando antes de ficar mais caro.

Os números de setembro

IndicadorSetembroComparação
Valor financiado (poupança)R$ 13,62 bi−19,7% sobre agosto
Imóveis financiados34,9 mil−25,3% sobre agosto; −24,4% sobre set/2025
Saques líquidos da poupançaR$ 6,2 biMetade dos R$ 11,7 bi de set/2025
Saldo da poupançaR$ 755,8 bi−0,18% sobre agosto

Mesmo com a queda, setembro foi o sexto melhor mês de setembro dos últimos 25 anos, segundo a Abecip. No ano, o crédito com poupança ainda soma R$ 146,1 bilhões, alta de 30,3% sobre o mesmo período de 2025, com 419,6 mil imóveis financiados.

Por que o crédito desacelerou

Três fatores pesaram no mês:

  • Greve da Caixa. A paralisação começou em 10 de setembro e atrasou contratos e repasses às construtoras. A Caixa é o maior agente do crédito com poupança: fez R$ 68,8 bilhões dos R$ 146,1 bilhões do ano, segundo dados da Abecip citados pela Folhapress.
  • Análise mais rígida. A Caixa passou a aprovar financiamentos com critérios mais exigentes, o que já aparecia nas vendas do Minha Casa, Minha Vida. Veja como isso afetou as vendas.
  • Poupança encolhendo. A poupança é a principal fonte do dinheiro do SFH. Em 2026, os saques superaram os depósitos em R$ 53,2 bilhões. Menos dinheiro na poupança significa menos crédito barato disponível.

Os dados do Banco Central apontam na mesma direção: as novas concessões do crédito direcionado, que inclui poupança e FGTS, caíram 11,8% em setembro, segundo a nota de crédito divulgada em 29 de outubro.

O que vem pela frente

Outubro trouxe um novo fator: os juros subiram. Bradesco, Itaú e Santander passaram a cobrar acima de 12% ao ano + TR. Veja as novas taxas e quanto muda a parcela. A Caixa ainda não anunciou mudança, mas, pelos dados do Banco Central citados pela Folhapress, a taxa média dela com poupança já foi de 12,05% ao ano + TR em setembro.

O Copom decide a Selic nesta quarta-feira, 4 de novembro, e o mercado espera a taxa parada em 13,75%. Veja o que esperar do Copom. Os números de outubro, primeiro mês inteiro depois da greve, vão mostrar se a queda de setembro foi pontual.

O que o corretor pode fazer agora

  • Monte a proposta completa antes de enviar. Com análise mais rígida, documento faltando ou renda mal comprovada vira reprovação ou atraso.
  • Confira as outras dívidas do cliente. O comprometimento de renda com outras parcelas pesa na análise.
  • Compare bancos. Com a poupança mais curta e as taxas subindo, cada banco está com uma política diferente. Veja a simulação em quatro bancos.
  • Fique de olho no FGTS. Para quem pode usar, o FGTS e o Minha Casa, Minha Vida seguem com orçamento garantido para 2027. Veja o orçamento do FGTS.

Simulação não é aprovação: a taxa e a decisão de crédito dependem da análise de cada banco.

Fontes: Abecip, "Crédito imobiliário do SBPE encerrou o mês de setembro com R$ 13,6 bilhões financiados" (29/10/2026), reproduzida pela Prognum (30/10/2026); Folhapress, via Diário do Comércio, "Bancos privados aumentam taxas do crédito da casa própria" (30/10/2026); Banco Central, Estatísticas Monetárias e de Crédito de setembro, via IstoÉ Dinheiro (29/10/2026).

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Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

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