Notícias do mercado · 22 de outubro de 2026
Caixa mais rígida faz as vendas do Minha Casa Minha Vida perderem fôlego
Em São Paulo, 7 em cada 10 imóveis vendidos são do MCMV, mas o ritmo caiu. Veja o que mudou na Caixa, os números das construtoras e o que fazer no atendimento.

O Minha Casa Minha Vida segue sendo o motor do mercado imobiliário, mas perdeu velocidade. Segundo reportagem da Exame publicada em 22 de outubro de 2026, com dados do Secovi-SP analisados pelo BTG Pactual, o motivo principal é a Caixa, que passou a aprovar financiamentos com mais rigor. Ontem explicamos o efeito disso nos distratos das construtoras. Hoje, os números de São Paulo e o que eles mudam no seu atendimento.
Os números de São Paulo em agosto
- 7 em cada 10 imóveis vendidos na cidade eram do MCMV.
- Foram cerca de 10 mil unidades vendidas (37% a mais que um ano antes) e 17,8 mil lançadas (90% a mais).
- A velocidade de vendas do programa caiu de 13% em julho para 11,5% em agosto. Esse indicador mostra quanto do que está à venda é vendido no mês.
- O estoque total chegou a 98 mil unidades, 51% acima de um ano antes.
Ou seja: lança-se muito mais do que se vende, e uma das razões é que menos gente consegue o crédito a tempo.
Por que a Caixa importa tanto
A Caixa responde por cerca de dois terços do crédito habitacional do país e concentra praticamente todos os financiamentos do MCMV. Quando ela muda a forma de aprovar, o programa inteiro sente. No 3º trimestre, três fatos pesaram:
- Análise de crédito mais dura para compradores de baixa renda, num momento de famílias mais endividadas.
- Parcela máxima menor por 10 dias em julho: o limite caiu de 30% para 27% da renda.
- Greve de 19 dias em setembro, que atrasou a assinatura de contratos e a liberação do dinheiro.
O que dizem as construtoras
- Tenda: as vendas desfeitas chegaram a 19,4% das vendas brutas, contra 11% um ano antes.
- Cury: os distratos subiram 59,3% em um ano, e os repasses caíram 35,8% em relação ao trimestre anterior.
- MRV: os repasses caíram 16,4% em um ano.
- Direcional: o presidente da empresa apontou a Caixa como principal motivo das vendas mais fracas, mas disse que as vendas de setembro quase dobraram em relação a julho.
A leitura do mercado não é de crise na procura. O BTG vê a demanda resistente e espaço para o crédito voltar ao normal. Os números de outubro, o primeiro mês inteiro depois da greve, vão mostrar se isso já começou.
O que muda no atendimento
- Análise antes da proposta. Com a Caixa mais criteriosa, descobrir o problema depois da assinatura custa a venda. Veja como o banco analisa o crédito.
- Fuja do limite. Quem estava exatamente nos 30% da renda foi o primeiro a cair quando o teto baixou para 27%. Uma margem protege a aprovação.
- Documentação completa desde o início. Processo sem pendência anda mais rápido, mesmo com a Caixa sobrecarregada.
- Conheça as alternativas. Para quem está acima do teto do MCMV, comparar instituições no financiamento comum pode abrir portas que a Caixa fechou.
Fontes: Exame, "A Caixa fechou a torneira do Minha Casa, Minha Vida? Vendas do programa perdem fôlego", reportagem de Letícia Furlan (22/10/2026), com dados do Secovi-SP e análises do BTG Pactual, do Santander e do Safra; prévias operacionais do 3º trimestre de 2026 de Tenda, Cury e MRV.
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