Notícias do mercado · 29 de outubro de 2026
Copom de novembro: mercado já vê a Selic parada em 13,75% e o juro longo volta a 15%. O que isso muda na taxa do financiamento
O mercado passou a esperar a Selic mantida no Copom de 4/11 e o juro de 10 anos voltou a 15%. Veja o que isso muda no financiamento imobiliário.

Até a semana passada, o mercado esperava mais um corte da Selic no Copom de 3 e 4 de novembro. Agora, a aposta mudou. Na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o mercado passou a ver cerca de 70% de chance de a Selic ficar parada em 13,75% ao ano, segundo o Poder360. A chance de uma alta em dezembro chegou a cerca de 25%.
No mesmo dia, o juro de 10 anos subiu para 15,04%. É esse juro mais longo que pesa na taxa do financiamento imobiliário. Veja o que isso significa para quem vende e para quem compra imóvel financiado.
O que aconteceu com os juros
- Selic: está em 13,75% ao ano desde o Copom de 16 de setembro. A decisão de novembro sai na noite de 4/11.
- Juro de 10 anos: subiu 0,13 ponto na quarta, para 15,04% (Poder360).
- Juros futuros (DI): os contratos de 2031 a 2035 subiram entre 0,12 e 0,14 ponto e ficaram perto de 15%. Os mais curtos, de janeiro de 2027 e de 2028, ficaram estáveis, em 13,62% e 14,35% (InfoMoney).
- Estados Unidos: o Fed, o banco central americano, manteve os juros entre 3,75% e 4,00% ao ano, mas dois dos doze votantes queriam subir. Juro alto lá fora deixa menos espaço para o Brasil cortar a Selic.
Os juros futuros são as taxas que o mercado negocia hoje para os próximos anos. Eles mostram quanto custa emprestar dinheiro por muito tempo e servem de referência para os bancos.
Por que o juro longo importa mais que a Selic
A Selic é a taxa básica, de um dia para o outro. O financiamento imobiliário dura 20, 30 ou 35 anos. Por isso, os bancos olham mais para o juro longo e para quanto pagam para conseguir o dinheiro que emprestam, o chamado custo de captação.
Foi o que aconteceu no começo da semana. Com a alta dos juros futuros, o Bradesco subiu a taxa da sua principal linha de crédito imobiliário para a partir de TR + 15% ao ano, em vigor desde 26/10. Veja o que mudou no Bradesco.
Os outros bancos vão subir as taxas?
Ainda não se sabe. Até a manhã de 29/10, não encontramos notícia confiável de mudança nas tabelas da Caixa, do Itaú, do Santander ou do Banco do Brasil depois da eleição. Mas o juro longo, que tinha dado uma trégua na terça, voltou a subir na quarta. Enquanto ele ficar perto de 15%, a pressão sobre as taxas continua.
O Minha Casa Minha Vida sente menos. As taxas do programa usam recursos do FGTS e são definidas pelo governo, não pelo mercado.
O que o corretor pode fazer agora
- Não prometa queda de juros. A expectativa de Selic menor em novembro mudou. Fale com o cliente com base nas taxas de hoje.
- Atualize as simulações. Uma simulação de setembro pode estar desatualizada. Refaça antes de levar a proposta.
- Compare mais de um banco pelo CET. Em momentos assim, a diferença entre instituições cresce. Veja a simulação em quatro bancos e a diferença entre juros, CET e indexadores.
- Confira a validade da aprovação. Quem já tem crédito aprovado deve perguntar ao banco até quando a taxa aprovada vale.
- Lembre da portabilidade. Se os juros caírem mais para a frente, dá para levar o financiamento para outro banco. Veja quando a portabilidade compensa.
Simulação não é aprovação: a taxa e a decisão de crédito dependem da análise de cada banco.
Fontes: Poder360, "Juros de 10 anos sobem a 15,04% e mercado vê Selic mantida" (28/10/2026); InfoMoney, fechamento do mercado de 28/10/2026; Banco Central (Copom de 16/09/2026); comunicado do Bradesco aos parceiros imobiliários (26/10/2026).
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