Notícias do mercado · 4 de novembro de 2026
Comprou imóvel na planta? O que a alta dos juros muda até a entrega das chaves
No imóvel na planta, a taxa do banco só fica garantida na assinatura do contrato. Veja o que muda com a alta dos juros e o que conferir antes das chaves.

Quem comprou imóvel na planta costuma contratar o financiamento só na entrega das chaves. Até lá, não existe contrato com o banco e, por isso, não existe taxa garantida. Vale a taxa do dia da assinatura. É o que explica reportagem da Exame de 2 de novembro de 2026.
Isso pesa agora porque os juros subiram no fim de outubro. A taxa mínima da maioria dos clientes foi para 15% ao ano + TR no Bradesco, 12,95% no Itaú e 12,49% no Santander. TR é um índice que corrige a dívida. Os bancos dizem que as novas taxas valem só para operações novas.
O que é o repasse
Enquanto a obra anda, a pessoa compradora paga a construtora. Na entrega das chaves, o saldo que falta passa para o banco. Esse momento é chamado de repasse. É nele que o financiamento é assinado e que a taxa fica definida.
Quem recebe as chaves nos próximos meses é quem está mais exposto, segundo a Exame. A aprovação de crédito também tem prazo de validade. Se a taxa não estava garantida, a proposta pode ser recalculada.
Por que juros maiores podem pedir mais entrada
O banco olha quanto da renda vai para a parcela. Se os juros sobem, a parcela sobe. Para a parcela continuar cabendo na renda, o banco libera menos dinheiro. A diferença vira entrada.
Veja um exemplo calculado pela Click Casa, com a tabela SAC (em que a parcela começa mais alta e vai caindo) e prazo de 30 anos:
| Taxa ao ano | 1ª parcela | Crédito |
|---|---|---|
| 11,99% | R$ 3.923 | R$ 320 mil |
| 12,95% | R$ 3.923 | R$ 302,3 mil |
| 15% | R$ 3.923 | R$ 270,7 mil |
Com a mesma parcela, o crédito cai cerca de R$ 17,7 mil a 12,95% e cerca de R$ 49,3 mil a 15%. A conta é um exemplo e não inclui TR, seguros e tarifas. O resultado real depende da análise de cada banco.
O que conferir antes das chaves
- Peça tudo por escrito. Pergunte ao banco qual é a taxa, até quando ela vale e o que falta para assinar.
- Compare pelo custo total. O CET, ou Custo Efetivo Total, soma juros, seguros e tarifas. Use o mesmo valor, prazo e índice em todas as propostas.
- Refaça a simulação. Uma simulação feita antes de outubro pode estar desatualizada. Veja as novas taxas e quanto muda a parcela.
- Guarde uma folga. Além de uma possível entrada maior, há custos de documentos, condomínio e impostos.
- Cuidado ao esticar o prazo. Prazo maior reduz a parcela, mas aumenta o total de juros pagos.
Acima de 12% ao ano, o contrato também pode sair do SFH, o que afeta o uso do FGTS. Entenda em SFH ou SFI.
E quem já assinou com o banco?
A taxa do contrato assinado não pode ser mudada pelo banco por conta própria. A parcela ainda pode variar por causa da TR e dos seguros.
Se o banco emitiu uma oferta válida com taxa definida e a pessoa cumpriu as exigências, ele pode ser obrigado a manter o combinado, segundo a Exame. Por isso, vale guardar a proposta e conferir a validade.
Para construtoras e incorporadoras
O repasse é o momento em que a venda vira caixa. Juros maiores podem reprovar clientes que antes passavam ou pedir mais entrada, e isso aumenta o risco de distrato, a venda desfeita. Vale revisar agora a carteira de quem recebe as chaves em 2027 e levar a simulação para mais de um banco. Veja como a Click Casa atende construtoras.
Simulação não é aprovação: a taxa e a decisão de crédito dependem da análise de cada banco.
Fontes: Exame, "Juros da casa própria subiram. O que acontece com quem comprou imóvel na planta?" (2/11/2026); Portas, "Juros maiores elevam risco no repasse de imóveis comprados na planta" (3/11/2026). Exemplo: cálculo da Click Casa.
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