Notícias do mercado · 21 de outubro de 2026

Por que tantas vendas do Minha Casa Minha Vida estão sendo desfeitas

Greve na Caixa e análise de crédito mais rígida fizeram os distratos das construtoras do MCMV crescer. Entenda o que aconteceu e como evitar no seu cliente.

Publicado em Atualizado em 3 min de leitura

Contrato de compra de imóvel sendo revisado por corretor e cliente

Uma venda fechada não é uma venda garantida. Em setembro, isso ficou claro para as construtoras do Minha Casa Minha Vida: os distratos cresceram. Distrato é quando a compra de um imóvel na planta é desfeita depois de assinada, e quase sempre o motivo é o mesmo: o financiamento do comprador não sai.

O que aconteceu

  • Tenda: R$ 292,8 milhões em vendas desfeitas no 3º trimestre, mais que o dobro do mesmo período de 2025 (R$ 136,2 milhões), segundo a prévia da própria empresa, publicada pelo Money Times.
  • Cury: R$ 358 milhões em distratos, alta de 59% em um ano, segundo cálculo do BTG Pactual citado pelo jornal O Tempo.
  • MRV: vendeu um recorde de R$ 3 bilhões no trimestre, mas estima ter deixado de receber cerca de R$ 80 milhões por causa da greve.

Os três motivos

  1. Greve na Caixa. Os bancários da Caixa ficaram cerca de 20 dias parados em setembro. Nesse tempo, contratos não foram assinados e o dinheiro do financiamento não foi liberado às construtoras, o que o mercado chama de repasse.
  2. Limite de parcela menor por alguns dias. Segundo a Tenda, a Caixa reduziu temporariamente a parcela máxima de 30% para 27% da renda da família, por cerca de 10 dias em julho. Quem estava no limite deixou de ser aprovado.
  3. Análise de crédito mais rígida. A Caixa está mais criteriosa para aprovar, principalmente em algumas regiões. A própria vice-presidente de Habitação do banco já tinha dito que o crédito está mais seletivo, como mostramos em MCMV para renda de R$ 21 mil? O que a Caixa respondeu.

Segundo o BTG Pactual, o efeito da greve foi de atraso, não de perda definitiva de vendas. A Tenda espera que os distratos voltem ao normal nos próximos meses.

O que isso ensina a quem vende imóvel

O distrato custa caro para todo mundo: o cliente perde tempo e esperança, a construtora devolve o imóvel ao estoque e o corretor, muitas vezes, perde a comissão. Na maioria dos casos, ele pode ser evitado antes da assinatura.

  • Analise o crédito antes da proposta. Saber quanto o cliente pode financiar antes de escolher o imóvel evita vender algo que o banco não vai aprovar. Veja como o banco analisa o crédito.
  • Não trabalhe no limite. Se a parcela já ocupa os 30% da renda, qualquer mudança de regra ou de taxa derruba a aprovação. Uma margem de segurança protege a venda.
  • Simule em mais de um banco. Quando um banco aperta, outro pode aprovar. Ter alternativas evita que a venda dependa de uma única porta.
  • Documentação completa desde o início. Processos sem pendência andam mais rápido, inclusive na Caixa. Segundo a CBIC, um processo sem pendências costuma levar até 20 dias entre o envio ao banco e a assinatura.

O que acompanhar

A greve terminou, e o mercado espera que os repasses voltem ao ritmo normal. O ponto de atenção continua sendo o rigor da Caixa na aprovação. Na prática, isso deixa mais valor para quem chega com o crédito do cliente organizado e comparado entre bancos.

Fontes: prévias operacionais do 3º trimestre de 2026 de Tenda, Cury e MRV, publicadas pelo Money Times (9/10/2026, reportagem de Igor Grecco); O Tempo, "Greve dos bancários da Caixa atrasa repasses do MCMV e afeta incorporadoras" (9/10/2026), com dados do BTG Pactual e da CBIC.

Tem um cliente travado no financiamento?

Você indica, a Click Casa cuida do crédito até a liberação e até 70% da comissão volta para você.

Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

← Todos os artigos