Notícias do mercado · 27 de outubro de 2026

Bradesco sobe os juros do financiamento imobiliário para até TR + 18,5% ao ano: o que muda na parcela e o que fazer com a simulação antiga

O Bradesco elevou as taxas do crédito imobiliário em 26/10/2026. Veja as novas taxas, quanto sobe a parcela e o que o corretor deve fazer agora.

Publicado em Atualizado em 3 min de leitura

Corretor revisando com o cliente uma simulação de financiamento imobiliário com taxa mais alta

Um dia depois do segundo turno das eleições, o Bradesco subiu os juros do financiamento imobiliário. A nova tabela vale desde segunda-feira, 26 de outubro de 2026, e foi comunicada pelo banco aos parceiros imobiliários, segundo os portais Publicidade Imobiliária e Condomínio Interativo. Na principal linha para pessoa física, a taxa passou a partir de TR + 15% ao ano, uma alta de 3,3 pontos percentuais.

As novas taxas do Bradesco

  • Principal, Prime, Parcerias e Massificado: a partir de TR + 15,00% ao ano.
  • Private (clientes de alta renda): TR + 13,60% ao ano.
  • Imóvel comercial e compra por empresa: TR + 16,50% ao ano.
  • Lote urbano: TR + 18,50% ao ano.
  • Residencial Poup+ (corrigido pela poupança): 10,33% ao ano + remuneração da poupança.

A TR (Taxa Referencial) é um índice que corrige o saldo devedor e se soma aos juros. Segundo os portais, o simulador do site do banco passou a usar juros efetivos de 16,5% ao ano + TR para o financiamento residencial, a maior taxa do Bradesco nessa linha. A taxa final de cada pessoa depende do perfil, do relacionamento com o banco e da modalidade.

Quanto muda a parcela

O Jornal Razão fez uma simulação no próprio site do banco:

  • Imóvel de R$ 500 mil, com R$ 300 mil financiados em 30 anos, pela tabela SAC.
  • Primeira parcela: R$ 4.675,76, ou R$ 4.757,53 com seguros e tarifas.
  • Custo Efetivo Total (CET): 17,21% ao ano.
  • Renda mínima exigida: R$ 15.858 por mês.

Com a taxa média que o Bradesco cobrava em setembro, a mesma primeira parcela ficaria perto de R$ 3.628. Ou seja, são mais de R$ 1.000 por mês, cerca de 20% a mais logo no início.

Por que o banco subiu os juros

O comunicado fala em "movimentos recentes do mercado" e no custo de captação, que é quanto o banco paga para conseguir o dinheiro que empresta. O texto não liga a decisão ao resultado da eleição.

O contexto ajuda a entender. Na segunda-feira, os juros futuros, que servem de referência para o crédito de longo prazo, dispararam em toda a curva. Segundo a Reuters, o mercado passou a ver cerca de 75% de chance de alta da Selic no Copom de 3 e 4 de novembro, quando antes esperava um corte. A Selic está em 13,75% ao ano.

Os outros bancos vão subir também?

Não necessariamente. Cada banco tem fontes de recursos e políticas próprias. Até a publicação deste artigo, não encontramos notícia de mudança nas tabelas da Caixa, do Itaú ou do Santander depois da eleição. Vale acompanhar nos próximos dias, porque os juros futuros seguem altos.

Um ponto de atenção: no SFH, o Sistema Financeiro da Habitação, a lei limita os juros a 12% ao ano. O comunicado divulgado não detalha como ficam as operações dentro do SFH, então confira essa informação com o banco em cada caso.

O que o corretor pode fazer agora

  • Refaça as simulações antigas. A simulação feita no Bradesco antes de 26/10 já não vale. Mostre ao cliente o número atualizado antes da proposta.
  • Compare mais de um banco. Com taxas mudando de um dia para o outro, a diferença entre instituições pode ficar ainda maior. Veja a simulação em quatro bancos.
  • Compare pelo CET, não só pelos juros. O CET soma seguros e tarifas. Veja a diferença entre juros, CET e indexadores.
  • Confira o prazo da aprovação. Quem já tem crédito aprovado deve confirmar com o banco por quanto tempo a taxa aprovada vale.
  • Lembre da portabilidade. Se as taxas caírem no futuro, o cliente pode levar o financiamento para outro banco. Veja quando a portabilidade compensa.

Simulação não é aprovação: a taxa e a decisão de crédito dependem da análise de cada banco.

Fontes: comunicado do Bradesco aos parceiros imobiliários (26/10/2026), via Publicidade Imobiliária e Condomínio Interativo (27/10/2026); simulação do Jornal Razão (26/10/2026); Reuters, "Ativos brasileiros desabam após eleição e mercado precifica alta da Selic em novembro" (26/10/2026).

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Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

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