Notícias do mercado · 6 de novembro de 2026
De onde vem o dinheiro do financiamento imobiliário e por que isso mexe com os juros
A poupança caiu de 46,1% para 27,5% do crédito imobiliário desde 2017. Entenda quem paga o financiamento hoje e por que a taxa sobe mesmo com a Selic parada.

Por muitos anos, a resposta foi simples: o dinheiro do financiamento imobiliário vinha da poupança e do FGTS. Isso mudou. Reportagem do InfoMoney de 6 de novembro de 2026 mostra que a poupança perdeu espaço, e o mercado financeiro ganhou. Essa troca ajuda a explicar por que a taxa do banco pode subir mesmo com a Selic parada.
Quem paga o financiamento hoje
Os números abaixo mostram o estoque, ou seja, o total de financiamentos em aberto, e não só os contratos novos:
| Fonte do dinheiro | 2017 | 2026 |
|---|---|---|
| Poupança (SBPE) | 46,1% | 27,5% |
| Mercado de capitais | 15,8% | 25,8% |
| Recursos captados pelos bancos | 15% | 23,6% |
| FGTS | 23,1% | 23% |
A reportagem não informa a qual mês de 2026 os dados se referem nem quem fez o levantamento. Por isso, use os números como retrato geral da mudança.
O que é cada fonte
- Poupança (SBPE): parte do dinheiro guardado na caderneta precisa ir para o crédito imobiliário. SBPE é o sistema que faz essa ligação.
- FGTS: é o fundo dos trabalhadores. Ele sustenta boa parte do crédito para quem tem renda menor, como no Minha Casa, Minha Vida.
- Mercado de capitais: são investidores que compram títulos ligados a imóveis, como o CRI, e cotas de fundos imobiliários.
- Recursos captados pelos bancos: é o dinheiro que os bancos levantam com outros produtos, como a LCI, para emprestar.
Por que a poupança perdeu espaço
O crédito imobiliário cresceu mais do que a poupança consegue acompanhar. Além disso, as pessoas estão tirando dinheiro da caderneta: até setembro de 2026, os saques superaram os depósitos em R$ 66,4 bilhões, segundo o Banco Central.
Isso não quer dizer que a poupança vai sumir. "Eu não acredito que a poupança vai acabar", disse Bruno Gargiolli, da XP, ao InfoMoney. Para ele, ela segue relevante, mas não sustenta mais sozinha o crescimento do setor.
Enquanto isso, os fundos imobiliários passaram de R$ 120 bilhões de patrimônio em 2017 para R$ 439 bilhões em setembro de 2026, com cerca de 3,4 milhões de investidores.
O que isso tem a ver com a taxa do seu cliente
Quem investe em títulos e fundos compara o retorno com outras aplicações. Quando os juros futuros sobem, esse investidor pede mais, e o dinheiro fica mais caro para o banco. Os juros futuros mostram o que o mercado espera para as taxas nos próximos anos.
Foi o que aconteceu no fim de outubro. Depois da eleição, os juros futuros subiram, e Bradesco, Itaú e Santander elevaram as taxas. Em 4 de novembro, o Copom manteve a Selic em 13,75%. Ou seja, a taxa do financiamento subiu com a Selic parada. Veja quanto muda a parcela com as novas taxas.
O que muda para quem vende imóvel
- Olhe além da Selic. A taxa do banco pode mudar antes ou depois da decisão do Copom.
- Compare bancos. Cada um usa uma mistura diferente de recursos e pode reagir de um jeito. Olhe o CET, o Custo Efetivo Total, que soma juros, seguros e tarifas.
- Veja a linha certa. O FGTS manteve sua fatia, e o Minha Casa, Minha Vida não foi afetado pela alta dos bancos privados, segundo a Exame de 4 de novembro.
- Fique atento ao teto do SFH. Taxas acima de 12% ao ano afetam o enquadramento do contrato. Entenda em SFH ou SFI.
Simulação não é aprovação: a taxa e a decisão de crédito dependem da análise de cada banco.
Fontes: InfoMoney, "Quem financia os imóveis do Brasil? FIIs e CRIs avançam; poupança perde terreno" (6/11/2026); Banco Central, dados da poupança até setembro de 2026, via BP Money; Exame, "Selic estaciona em 13,75%, mas bancos já cobram até 15% na casa própria" (4/11/2026).
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