Notícias do mercado · 23 de outubro de 2026

Crédito imobiliário cresce só 3,2% em 2026, e o FGTS chega ao limite, diz a CBIC

Dados da CBIC: crédito para comprar imóvel cresce só 2,4% no ano, o FGTS fica sem espaço e a reforma tributária segue sem consenso. Veja o que muda.

Publicado em Atualizado em 3 min de leitura

Gráfico de crescimento do crédito imobiliário sobre uma mesa com contrato de financiamento

O mercado imobiliário vende bem, mas o crédito para comprar está crescendo pouco. Foi o que mostraram os dados apresentados em 22 de outubro de 2026, em São Paulo, na reunião da Comissão da Indústria Imobiliária da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), feita em conjunto com o Secovi-SP.

Os números do crédito

De janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o economista Luis Fernando Mendes:

  • o total financiado (compra e construção) cresceu 3,2%;
  • o crédito para construção cresceu 6,2%;
  • o crédito para comprar imóvel cresceu só 2,4%.

A apresentação não detalhou se a conta é em valor ou em número de contratos. Vale lembrar que só o crédito com dinheiro da poupança somou R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto, 37,5% a mais que em 2025, segundo a Abecip. Ou seja, o desempenho muda bastante conforme a fonte do dinheiro.

Em outras palavras, as construtoras conseguem dinheiro para erguer os prédios, mas o crédito de quem compra avança devagar. É nesse ponto que muita venda trava.

Os números do mercado

  • Em 12 meses até junho, foram 477 mil imóveis lançados e 447 mil vendidos, com 355 mil à venda no fim do período.
  • As vendas do Minha Casa Minha Vida cresceram 16%.
  • No primeiro semestre, lançamentos e vendas de médio e alto padrão recuaram.

Por que o FGTS "chegou ao limite"

Para os representantes do setor, o FGTS, que banca o MCMV, não tem mais espaço para aumentar o orçamento de financiamento nem os descontos. Celso Petrucci, da CBIC, atribuiu a perda de fôlego principalmente ao saque-aniversário, que tirou dinheiro do fundo enquanto a procura cresce. A saída apontada é o Fundo Social, que já banca a faixa de renda mais alta do programa.

No crédito com dinheiro da poupança (SBPE), o debate foi sobre as regras de transição do novo modelo. Também se discutiu a manutenção da oferta, já que os juros não caíram na velocidade esperada.

Reforma tributária: faltam dois meses

A dois meses do início da nova cobrança, ainda não há consenso entre estados, municípios e Receita Federal sobre conceitos básicos para o setor imobiliário. O alerta foi feito no encontro. Os detalhes ainda dependem de regulamentação. Para a venda de imóveis por empresas, a CBS começa em 2027.

O que isso muda para o corretor

  • O gargalo é o crédito, não o imóvel. Com mais oferta do que compradores aprovados, quem chega com o crédito do cliente resolvido negocia melhor.
  • Análise antes da proposta. Com bancos mais seletivos, descobrir uma restrição depois de assinar custa a venda. Veja como o banco analisa o crédito.
  • No MCMV, agilidade conta. Se o FGTS está no limite, os recursos do ano podem ficar mais disputados. Documentação completa desde o começo ajuda.
  • Fora do MCMV, compare. Para quem tem renda acima do programa, comparar instituições no financiamento comum pode abrir portas.

Fonte: CBIC, "CII debate financiamento habitacional, Reforma Tributária e perspectivas do mercado imobiliário" (22/10/2026), com dados apresentados por Luis Fernando Mendes e falas de Celso Petrucci, Eduardo Aroeira e Luis Henrique Cidade.

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Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

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