Documentação e jurídico · Parte 2 de 3

Documentos do vendedor e do imóvel: o que o banco confere antes de financiar

Matrícula, certidões do vendedor, IPTU e condomínio: os documentos do imóvel no financiamento, o que cada um revela e como evitar surpresas na análise jurídica.

Publicado em Atualizado em 4 min de leitura

Matrícula e certidões do imóvel analisadas para o financiamento

Na parte 1, tratamos dos documentos do comprador. Agora vamos ao lado que mais esconde surpresas: o vendedor e o imóvel. É aqui que a análise jurídica do banco procura qualquer coisa que impeça o registro da compra.

O que o banco quer garantir

O imóvel é a garantia do financiamento. Antes de emprestar, o banco precisa ter certeza de que o vendedor pode vender, de que o imóvel está livre de problemas e de que a compra vai ser registrada sem obstáculos. Cada documento do vendedor e do imóvel responde a uma parte dessa pergunta.

Matrícula atualizada

A matrícula é a certidão do imóvel no cartório de registro de imóveis. Ela conta a história do imóvel: quem são os donos, compras anteriores, hipotecas, penhoras, usufrutos e averbações de construção. É o documento mais importante da análise jurídica.

Ao ler a matrícula, confira se:

  • o vendedor é de fato o proprietário registrado;
  • a área e a descrição batem com o imóvel real;
  • há registro de ônus, como hipoteca, penhora ou alienação fiduciária;
  • a construção existente está averbada.

Certidões do imóvel

  • Certidão de ônus reais e de ações reais e pessoais reipersecutórias: mostra se existe algum gravame ou ação judicial ligada ao imóvel.
  • Certidão ou carnê do IPTU: confirma a situação dos tributos municipais.
  • Declaração de quitação do condomínio: em apartamentos e condomínios, mostra que não há dívidas condominiais.
  • Habite-se e documentos da construção: em alguns casos, especialmente em imóveis novos ou ampliados.

Documentos e certidões do vendedor

Além dos documentos pessoais e do estado civil, o banco pode pedir certidões que mostram se o vendedor tem ações ou dívidas capazes de afetar a venda, como certidões de distribuidores judiciais e de débitos trabalhistas. Isso protege o comprador de comprar um imóvel que depois seja questionado por credores do vendedor.

Quando o vendedor é casado, o cônjuge normalmente precisa participar da venda. Quando é pessoa jurídica, entram o contrato social, os documentos dos sócios e certidões da empresa.

O que a matrícula costuma revelar

O que apareceO que significaCaminho comum
Hipoteca ou alienação fiduciáriaO imóvel ainda garante uma dívida do vendedorQuitação com parte do valor da venda e baixa no cartório
PenhoraO imóvel está vinculado a um processo judicialAvaliar o processo e a possibilidade de baixa antes da venda
UsufrutoOutra pessoa tem direito de uso do imóvelRenúncia ou cancelamento do usufruto
Construção não averbadaA área construída não consta no registroRegularização e averbação da construção
Proprietário falecidoA herança ainda não foi formalizadaInventário concluído e registrado

Quando o vendedor tem um financiamento em aberto

É muito comum o vendedor ainda estar pagando o próprio financiamento. Nesse caso, a matrícula mostra a alienação fiduciária ou a hipoteca em favor do banco dele. A venda é possível, mas exige coordenação: o saldo devedor precisa ser quitado, em geral com parte do valor pago pelo comprador, e o banco do vendedor emite o termo de quitação para a baixa no cartório.

Peça ao vendedor, logo no início, uma declaração com o saldo devedor atualizado. Com esse número, dá para saber se o valor da venda cobre a dívida e quanto sobra para ele, o que evita surpresas na reta final.

Imóvel novo ou na planta

Em imóveis comprados diretamente da construtora, a análise envolve também a documentação do empreendimento, como o registro da incorporação. Nesses casos, a construtora costuma orientar quais documentos são necessários.

Por que pedir a matrícula logo na captação

A maioria dos problemas jurídicos aparece na matrícula. Se ela for lida só depois da aprovação do crédito, o problema surge quando todos já contam com a venda. Se for lida na captação, o corretor sabe de antemão o que precisa ser resolvido e pode orientar o vendedor com tempo.

Também vale perguntar ao vendedor, logo no início, se houve reforma ou ampliação, se o imóvel veio de herança e se existe alguma dívida ligada a ele. Três perguntas simples evitam meses de atraso.

Na parte 3, detalhamos as pendências que mais travam a escritura e como cada uma costuma ser resolvida.

Perguntas frequentes

Quanto tempo vale a matrícula atualizada?

As instituições costumam exigir uma matrícula emitida recentemente, muitas vezes com até 30 dias. Confirme o prazo com quem conduz o crédito.

O vendedor com dívidas pode vender o imóvel financiado?

Depende da natureza e do valor das dívidas. Certas ações podem comprometer a venda. Por isso as certidões do vendedor são analisadas antes da aprovação jurídica.

Imóvel sem habite-se pode ser financiado?

Em geral, a construção precisa estar regularizada e averbada na matrícula. Há exceções em algumas modalidades, como o crédito com garantia de imóvel.

Próxima parte da sériePendências que travam a escritura e o financiamento: como identificar e resolver

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Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

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