Notícias do mercado · 21 de outubro de 2026

Aluguel custa 76% a mais do que as pessoas podem pagar: hora de fazer a conta da compra

Estudo com 905 mil pessoas mostra o aluguel anunciado 76% acima do orçamento. Veja os números por cidade e como comparar aluguel e parcela do financiamento.

Publicado em Atualizado em 3 min de leitura

Pessoa comparando o valor do aluguel com a parcela do financiamento

Quem procura um apartamento para alugar já percebeu: os preços subiram mais que o salário. Um levantamento divulgado pela Exame mostra o tamanho dessa distância. O aluguel anunciado está, em média, 76% acima do valor que as pessoas dizem poder pagar.

O que o estudo mostra

A DataLais, área de dados da empresa Lastro, comparou o orçamento informado por 905 mil pessoas, de todos os estados, com o preço de 118 mil apartamentos anunciados. As informações vieram do atendimento de cerca de 1.500 imobiliárias pelo WhatsApp.

  • O orçamento que as pessoas informam fica em torno de R$ 1.700 por mês (valor do meio da lista, a mediana).
  • O aluguel anunciado fica em torno de R$ 3.000.
  • A diferença é de R$ 1.300 por mês.

Onde a distância é maior

CidadeAluguel anunciado acima do orçamento
Balneário Camboriú (SC)131%
Porto Alegre (RS)100%
Campinas (SP)90%
Itajaí (SC)88%
Ribeirão Preto (SP)87%
São José dos Campos (SP)84%
São Paulo (SP)80%
Belo Horizonte (MG)76%
Londrina (PR)63%

Outro dado ajuda a entender o aperto: segundo o Índice FipeZAP, os aluguéis novos subiram 9,16% nos 12 meses até agosto, enquanto a inflação oficial (IPCA) ficou em 4,22% no mesmo período.

Uma ressalva importante: o estudo usa dados de imobiliárias clientes da DataLais, e não de todo o mercado. Ele mostra uma tendência, não um retrato exato de cada cidade.

Aluguel ou parcela: como comparar

Para muita gente, a pergunta deixa de ser "quanto custa o aluguel" e passa a ser "quanto da minha renda já vai para morar". Se esse valor é parecido com o de uma parcela de financiamento, vale fazer a conta da compra. Três pontos para comparar:

  1. A parcela cabe na regra do banco? Em geral, a parcela pode chegar a 30% da renda bruta da família. Quem ganha R$ 10 mil por mês, por exemplo, pode ter parcela de até cerca de R$ 3 mil.
  2. Existe dinheiro para a entrada e os custos? Os bancos costumam financiar até 80% do imóvel. A entrada pode vir de economias ou do FGTS, e é preciso somar o ITBI e o registro em cartório (veja os custos do ITBI e do registro).
  3. O programa certo pode baratear a conta. Famílias com renda de até R$ 13 mil podem se enquadrar no Minha Casa Minha Vida, que tem juros menores que os do mercado. Explicamos as faixas em MCMV para renda de R$ 21 mil? O que a Caixa respondeu.

A diferença principal: o aluguel nunca termina e, como mostram os índices, sobe acima da inflação. A parcela do financiamento tem fim e vai construindo patrimônio. Não é a escolha certa para todo mundo, mas é uma conta que vale fazer com números reais, numa simulação.

Para o corretor

Quem procura aluguel acima do próprio orçamento é, muitas vezes, um comprador que ainda não sabe disso. Antes de oferecer um imóvel mais barato para alugar, vale perguntar a renda da família e simular um financiamento. É uma conversa que pode transformar um contrato de locação em uma venda.

Fontes: Exame, "Aluguel de imóvel no Brasil custa 76% mais do que consumidor pode pagar", reportagem de Ana Luiza Serrão (16/10/2026, atualizada em 19/10/2026), com dados da DataLais/Lastro; Índice FipeZAP de Locação; IPCA/IBGE.

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Escrito por

Mari PinheiroEspecialista em Finanças
Victor PinheiroCorretor de Imóveis

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